quarta-feira, 11 de junho de 2014

A Seleção facebook

Amigo, hoje o texto será mais leve na forma, mas mais arisco no conteúdo. Já disse que torcerei pela seleção. Acima de qualquer coisa, está meu amor pelo jogo, pelo futebol, pelo que ocorre nas quatro linhas. Mas não posso aceitar tudo, que aí fica sem graça demais. 
Valesca popozuda diria que é recalque. Vá lá, pode ser, porque não? Quem não tem os seus que tire ou atire a primeira pedra. Mas não dá pra engolir essa simpatia marqueteira dos jogadores da seleção. É sorridente demais, é alegre demais, parece foto de perfil de facebook, todo mundo fodido e todo mundo sorrindo. Há de se ter um pouco de mau humor nisso tudo, uma pitada de raiva, um pouco de indignação. 
Esse bom humor demais não me agrada. Se perder ele cai por terra rapidinho e é capaz dessa Copa nem acabar. Como diria um amigo meu: Vai pensando que tá mamão, vai!. 
Nos tempos antigos, não tinha essa de marketing, assessor de imprensa e os caraio. Era ali, no frente a frente. Sem proteção e sem falsas imagens. É muita exposição e muito mais do mesmo. São sempre os mesmos jogadores, falando as mesmas coisas, com as mesmas perguntas. 
Tá certo, um Romário as vezes tumultuava o ambiente, um Edmundo era um problema, um Viola dava trabalho dentro e fora de campo. Mas agora todo mundo quer ser Ronaldo Fenômeno. É a Luciano Huckização do futebol. Todo mundo engomado e com cara de bom moço. 
O problema, meninos, meninas e amigos leitores, é que essa imagenzinha não se sustenta ao primeiro tropeço. Vejam só quem é Ronaldo Fenômeno. Veja quem é Luciano Huck. Veja o playboy do Aécio Neves. Todos na aparência bons moços, mas por trás, uma lista de promiscuidades, que só não as conta pra não perder linhas e moedas. 
É preciso mais humanidade. É preciso um pouco de loucura nisso tudo. Não há time campeão sem um, pelo menos um porra loca. Em 58,62 Garrincha, nosso jogador Macunaíma e Nilton Santos. Em 1970, Pelé, com sua cotovelada na semifinal. Em 94 Romário, que quase nem foi pra Copa porque o filhote da ditadura do Parreira não gostava de sua indisciplina. Em 2002, Ronaldinho Gaúcho. 
Esses dias o Neymar arrumou uma treta em campo e os jornalistas já começaram a dizer que ele perderia a cabeça. Deixa perder. É preciso uma pitada de porra louquice nisso tudo. 
Pela Macunaimização do futebol nacional: menos facebook e mais vida, por favor!

Nenhum comentário:

Postar um comentário